Existe na Igreja uma forma de terminar os procedimentos por abusos a menores que não passa por uma sentença, não declara os fatos, não ouve a vítima e não deixa rastro público.
Pequim escolheu um novo bispo católico que promoveu a ideologia comunista, participou da «re-educação» política maoísta e descartou relatos de perseguição contra católicos na sua própria diocese. Roma aprovou-o mesmo assim. A consagração de Paul Liu Honggang, argumenta Gaetano Masciullo, é um exemplo chocante do que o acordo sino-vaticano produziu: o regime comunista escolhe, e Roma acata.
Há um trecho do livro Gama da Metafísica que se relê sempre com um sorriso pouco caridoso. Aristóteles, cansado de quem negava o princípio da não contradição, decreta que não cabe discutir com eles: quem sustenta que algo pode ser e não ser ao mesmo tempo e no mesmo sentido assemelha-se, diz ele, a uma planta. Não a um tolo, nem sequer a um sofista: a um vegetal. Gosta-se de pensar que vinte séculos de teologia levaram a sério o aviso. Deus não se contradiz, a verdade não se contradiz, e uma Igreja assistida pelo Espírito não pode ensinar na segunda-feira o contrário do que ensinou, solene e universalmente, até domingo à tarde. Tudo isto, claro, era antes de 2 de agosto de 2018.
Antigas religiosas acusaram-no de manipulação psicológica, abuso espiritual e exploração sexual perpetrados sob o disfarce da teologia mística e da direção espiritual.