Soprava um ar podre de conclave quando, a 25 de março de 2025, a rede Snap (Survivors Network of those Abused by Priests) escreveu ao cardeal Parolin, Secretário de Estado, e ao cardeal Fernández, Prefeito do DDF, para denunciar as supostas omissões do cardeal Robert Francis Prevost, Prefeito do Dicastério para os Bispos, acusado de encobrir dois sacerdotes pedófilos. Informado do ocorrido, Bergoglio mandou chamar imediatamente Prevost — não para repreendê-lo, mas para o encorajar, assegurando-lhe toda a sua proteção. Num artigo de 6 de maio, ao referir-se ao iminente conclave, o diretor do La Nuova Bussola Quotidiana, Riccardo Cascioli, escrevera: «torna-se de primordial importância que os cardeais evitem votar em quem, ao longo destes anos, esteve envolvido em casos de corrupção e abusos sexuais […] inquietante é constatar que, nestes dias, entre os nomes dos papáveis em ascensão surge o cardeal Robert Francis Prevost». Evidentemente, naquela altura, poucos imaginavam que «Papa Francisco» já havia escolhido e recomendado como seu sucessor aquele a quem nomeara bispo em 2014, chamado em 2023 a liderar o Dicastério incumbido de nomear bispos e criado cardeal a 30 de setembro do mesmo ano. Enquanto isso, Bergoglio nomeava para Chiclayo o agostiniano Edinson Edgardo Farfán Córdova, outro protetor de padres abusadores e íntimo amigo de Prevost, incumbindo-o de silenciar as acusações contra os pedófilos que protegia.
Na entrevista a Leão XIV, concedida a Elise Anne Allen e reunida no livro León XIV, Ciudadano del mundo, misionero del siglo XXI, lê-se que o bispo Prevost havia suspendido o sacerdote Eleuterio Vásquez González, conhecido como padre Lute, do ministério sacerdotal — afirmação falsa, pois limitara-se a removê-lo da paróquia. Entre várias inverdades constantes do livro de Allen, Prevost alonga-se a querer convencer os leitores de que não tinha dúvidas, pois um norte-americano jamais poderia tornar-se papa; prosseguindo na mentira, garante ter acolhido, a 5 de abril de 2022, com todas as atenções, as vítimas de Lute e assegurado-lhes o seu apoio e empenho. Tal obra visava inocentar Prevost de todas as acusações, mas revelava um pormenor essencial: a 23 de abril, dois dias após a morte de Bergoglio e — parece não ter sido mero acaso — em antecipação à eleição de Prevost, o bispo de Chiclayo, Farfán Córdova, recebera as irmãs abusadas para encontrar uma solução «definitiva» para o caso.
Com o intuito de descredibilizar o trabalho do sacerdote canonista e exorcista Ricardo Coronado, encarregado de defender as vítimas menores de Lute e citando o cân. 1483 do Código de Direito Canónico, a 24 de agosto de 2024 a Conferência Episcopal Peruana notificava-o (sem possuir autoridade para tanto) da revogação do seu título de advogado eclesiástico, sob a alegação de manter relações consensuais com um adulto. Num regime de clara ditadura eclesiástica, quatro meses depois Coronado recebia a comunicação da sua demissão do estado clerical por decreto papal, mas o documento não apresentava a assinatura autógrafa de Francisco. A respeito destes factos, a 27 de outubro de 2025, o InfoVaticana escrevia: «Hoje já existem indícios muito claros — rigorosamente documentados e denunciados pelo InfoVaticana — de uma campanha de comunicação meticulosamente orquestrada para apagar a imagem de todos os envolvidos no assim chamado caso Lute. O objetivo não é esclarecer os factos, mas reescrevê-los, construindo uma narrativa «conspiradora» destinada a desacreditar as vítimas e o seu antigo advogado». Nesse mesmo dia, Coronado respondia com uma carta ao referido blog, acusando Prevost de o ter falsamente acusado de um escândalo sexual e declarando: «Aproveito a ocasião para salientar o possível pecado público, atual e permanente do então bispo Prevost, e exortá-lo à conversão».
Também o artigo do El País de 1 de outubro buscava manipular o testemunho de Ana María Quispe Díaz — uma das vítimas — que afirmara: «Infelizmente, Robert Prevost não agiu corretamente em nosso caso». Em setembro, as mulheres em questão haviam exigido que não fosse concedida qualquer dispensa ao sacerdote incriminado, Vásquez, até que uma investigação adequada fosse realizada e uma sentença proferida. Como resposta, receberam uma mensagem anónima do Vaticano, sem envelope, selo oficial ou número de processo, na qual se lhes comunicava que o Papa lhes concedera ao agressor a graça da dispensa do estado clerical, pelo que já não poderia ser julgado. Sentindo-se também enganadas por Leão, em novembro de 2025 Quispe Díaz difundia um comunicado que terminava assim:
«Por isso anunciamos:
– O início de ações legais junto das autoridades canónicas competentes contra todos os funcionários eclesiásticos que participaram ou foram responsáveis por tais negligências.
– A apresentação formal do nosso caso às associações de vítimas de abusos de todo o mundo, para que seja ouvido e se trabalhe em conjunto por uma verdadeira mudança na Igreja.
– A comunicação imediata do caso à Comissão para a Proteção dos Menores do Vaticano, para que analise o ocorrido e adote medidas face ao abuso sofrido.
– O pedido de uma audiência pessoal com o Papa, a fim de lhe explicar a dor que situações como esta causam às vítimas e lhe pedir uma mudança de rumo na forma como a Igreja aborda os casos de abuso».
Bastariam estes factos para envergonhar Robert Francis Prevost, quem o defendeu e quem o elegeu. Os grandes jornais censuravam tudo, enquanto bispos e cardeais se ocupavam a venerar as relíquias do «santo padre» Papa Francisco na Basílica de Santa Maria Maior, alheios ao caso. A «corte» da máfia vaticana não permanecia inativa: em março de 2026, a Rai News.it retoma um artigo do El País sobre um caso de pedofilia supostamente encobberto pelo cardeal Joseph Ratzinger — não passava de mais uma calúnia contra quem efetivamente combatera a pedofilia, mas esta era a lógica do sistema. Escândalo sobre escândalo, o InfoVaticana publica ainda uma foto de 8 de março de 2026, em que Eleuterio Vásquez surge sorridente ao lado do padre Edward Tocto, íntimo amigo de Prevost e seu ex-advogado no caso Lute.
Resumo em poucas linhas uma entrevista estupefaciente, com mais de 47 minutos, concedida pelo sacerdote Ricardo Coronado ao diretor do LifeSiteNews, John-Henry Westen.
Contra mim desencadeou-se uma verdadeira perseguição porque não era do agrado do bispo Prevost. Depois de regressar ao Peru dos Estados Unidos, fui acusado de concubinato pelo bispo de Colorado Springs, James Robert Golka, e mais tarde enfrentei outra acusação de pedofilia. Prevost instruiu uma mulher de cinquenta anos a inventar acusações contra mim. Depois de as vítimas de Lute se terem dirigido ao bispo de Chiclayo, Prevost respondeu que não era da sua competência intervir e prontamente informou as autoridades competentes do Vaticano, assegurando que não havia provas contra Vásquez González. O sacerdote incriminado sabia demais, e por isso devia ser protegido por Prevost. As vítimas pediram a minha ajuda porque, no Peru, nenhum canonista aceitaria defendê-las, dado o poder das pessoas envolvidas. Nenhuma Conferência Episcopal do mundo tem poder jurisdicional sobre um sacerdote, ainda assim, depois de Prevost ter vindo ao Peru e se ter encontrado com vários bispos — entre os quais o presidente da Conferência Episcopal, Héctor Miguel Cabrejos Vidarte —, foi publicado um comunicado de imprensa que me impede de exercer a advocacia. O jesuíta Carlos Cardó Franco, íntimo amigo de Bergoglio, telefonou a um meu amigo advogado civilista para o convencer a abandonar o sacerdócio, pois haviam recebido ordens superiores para proteger Prevost. O sistema judicial da Igreja foi destruído. Na Argentina, o bispo Zanchetta abusou de seminaristas; foi julgado pelas autoridades civis, mas não sofreu sanções canónicas — foi protegido por Bergoglio e depois por Prevost. Quem é amigo do sistema não recebe qualquer punição. Bergoglio e Prevost são causa de divisão… vivemos na apostasia.
Conseguirá Leão XIV, o nosso herói, aniquilar o processo contra Lute, como até agora tem logrado — brilhantemente — com o «amado Papa Francisco» no caso do seu protegido Marko Rupnik, abusador de consciências e corpos femininos? Enquanto a maçonaria e a máfia vaticana permanecerem no poder, a resposta só poderá ser não.
Antonio Romano
Este mês faleceu o sacerdote Ricardo Yesquén Paiva, também acusado de abusos sexuais em menores e cúmplice de Lute, mas sempre protegido por Prevost. Nesta foto de 12 de janeiro de 2023, o bispo Prevost surge ao lado de Yesquén no dia do seu aniversário, quase três anos depois da primeira denúncia e nove meses após a segunda.