Jovens católicos argentinos levantam a voz após o «espetáculo techno» na Praça de Maio:

«Queremos doutrina, não adaptação ao mundo»

A reação não demorou. Dias após o controvertido ato celebrado na Praça de Maio -um evento multitudinário com música eletrônica em homenagem a Francisco que já havia gerado críticas-, um grupo de jovens católicos argentinos expressou publicamente seu desconforto.

Fizeram-no através de uma carta publicada no jornal La Prensa, na qual denunciam o "grave escândalo" provocado pelo ocorrido em 18 de abril e mostram sua perplexidade diante da avaliação positiva que alguns responsáveis eclesiásticos teriam feito do evento como uma forma de "chegar à juventude".

Longe de se sentir representados por essa abordagem, os signatários sustentam que essa imagem não corresponde à realidade de muitos jovens crentes.

Recordemos a JMJ de Lisboa de 2023 com Francisco:

Uma geração que não se reconhece na banalização

O texto não é uma simples reclamação pontual, mas uma tomada de posição mais profunda. Os jovens rejeitam abertamente a ideia de que a evangelização passe por reproduzir dinâmicas próprias do lazer noturno ou do entretenimento massivo, e questionam que se identifique a juventude com esse tipo de propostas.
Pelo contrário, reivindicam uma fé exigente e sem concessões.

Em sua carta deixam claro que não buscam uma Igreja que se adapte aos critérios do mundo, mas uma que mantenha sua identidade e transmita sem ambiguidades a mensagem cristã, mesmo quando esta resulta contracultural.

"O que nos atrai é a verdade completa"

A partir daí, a carta se converte em um pedido direto aos pastores. Com um tom firme mas respeitoso, os jovens reclamam algo que consideram básico: receber integralmente a doutrina da Igreja, sem omissões nem reinterpretações.

Nesse sentido, mencionam explicitamente questões doutrinais e morais que, em sua opinião, não estão sendo transmitidas com clareza: a existência do pecado, a moral sexual, a necessidade de conversão, o sentido da salvação ou a realidade do combate espiritual. Não se trata, dizem, de endurecer o discurso, mas de evitar a confusão.

Liturgia, sacramentos e coerência

A preocupação não se limita ao âmbito doutrinário. Os signatários também denunciam o que consideram uma perda de sentido na vida litúrgica, e pedem celebrações mais dignas e reverentes, afastadas de formas que, em sua opinião, desfiguram o caráter sagrado da Missa.

Na mesma linha, insistem na necessidade de manter clareza na disciplina sacramental, especialmente no tocante à recepção da comunhão, sublinhando que não pode ser desvinculada das condições que estabelece a própria Igreja.

Um chamado que interpela a Igreja

Além do caso concreto que motivou a carta, a mensagem de fundo aponta para uma questão mais ampla: que tipo de Igreja é capaz de atrair hoje aos jovens. Diante da tentação de adaptar a mensagem para torná-la mais acessível, os signatários sustentam que o que verdadeiramente interpela não é a redução de exigência, mas a autenticidade.

"O que chega é a radicalidade cristã", afirmam, em uma das ideias centrais do texto. Não pedem uma Igreja mais flexível, mas uma mais coerente, capaz de propor sem ambiguidades o caminho da fé, mesmo quando exige renúncia e sacrifício.

Carta a monsenhor Jorge García Cuerva Arcebispo de Buenos Aires:

Para ler carta completa AQUI

QUEM QUISER ENTENDER QUE ENTENDA!

Povo de Maria